UFPA moderniza técnicas de conservação

prod1Há mais de 5 mil anos, os egípcios antigos já utilizavam técnicas para mumificar cadáveres, mediante a crença de que, um dia, a alma pudesse retornar ao corpo. Mas, atualmente, a preservação de cadáveres é um método de ensino prático, amplamente realizado em universidades de todo o mundo.

No Laboratório de Anatomia Humana Funcional, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal do Pará (UFPA), essa didática será modernizada a partir de 2013, com projetos de técnicas mais adequadas para conservação de peças anatômicas, que servirão tanto para aulas práticas como para a formação de um Museu de Anatomia, a ser montado dentro do Instituto.

Novas técnicas - A coordenação do laboratório trabalha com três novos projetos para este ano, um deles voltado para a criação de um site que mostrará um pouco do trabalho realizado nas pesquisas anatômicas do ICB, e outros dois que dizem respeito à adoção de quatro técnicas mais atuais e menos incômodas no âmbito da conservação: angiotécnica (com vasos sanguíneos), em que se pode introduzir resinas nos vasos e, depois, corroer os tecidos para adquirir a árvore venosa ou arterial da estrutura; osteotécnica, que age com tecidos duros (ossos, articulações); neurotécnica (encéfalo) e esplancnotécnica (sistemas respiratório e digestivo).

prod2A coordenadora do laboratório, Roseane Borner, explica que a conservação é uma ferramenta fundamental na Anatomia, pois é muito difícil trabalhar com ensino e pesquisa sem salvar as peças orgânicas, que têm todo um processo de necrose e putrefação. “Existem muitas atividades de conversação, umas rudimentares e outras bem sofisticadas, então, estamos caminhando para instalar no ICB técnicas modernas que trabalham com substâncias químicas mais apropriadas, como resina, látex, hidróxido de sódio etc, e essas já foram adquiridas com uma verba liberada recentemente pela Reitoria”, comenta a professora da UFPA.

O objetivo das técnicas de conservação é manter as características morfológicas das peças o mais semelhante possível às encontradas em animais vivos, ou seja, cor, consistência dos tecidos e flexibilidade. Atualmente, o laboratório trabalha com duas técnicas básicas: formolização e glicerinação. Mas o uso do formol, que é um dos conservantes mais antigos, será proibido a qualquer momento, pois, além de ser fortemente tóxico, está praticamente comprovado que é cancerígeno e ainda causa lacrimejamento, entre outros desconfortos, a quem o manuseia. Assim, a UFPA já utiliza outro álcool, a glicerina, que, apesar de não conservar muito bem peças do sistema nervoso, substitui beneficamente o formol com seu baixo grau de toxidade e sua condição inodora.

prod3A múmia e o museu – Quando se fala em “múmia”, logo se imagina um corpo todo enfaixado dentro de um sarcófago. Mas, no laboratório da UFPA, um cadáver que tem aproximadamente 15 ou 20 anos e passou pelo processo de embalsamamento com formol diversas vezes foi o único que deu para aproveitar, entre cadáveres antigos que eram usados no Instituto. Ele foi dissecado, lixado, envernizado, recebeu a aplicação de um produto antifúngico, teve o corpo articulado com chapinhas de alumínio para se movimentar, ainda tem restos de tecido no rosto e nos músculos intercostais e tem até direito a um banho de Sol, de vez em quando, para evitar a proliferação de fungos; tudo isso para estar em bom estado e fazer parte das aulas práticas, bem como se tornar componente do museu de Anatomia que será montado no ICB para expor as melhores peças conservadas.

Além do museu, existe outro projeto para os próximos anos, trata-se do laboratório de plastinação, uma técnica extremamente elaborada de conservação, que consiste na retirada de água e lipídios do corpo humano, aplicando polímeros sintéticos no local. “A plastinação é uma técnica maravilhosa e já tem uma sala reservada. Conversei com o reitor e ele se colocou muito aberto para apoiar a produção do laboratório e também do museu, mas temos que ir devagar, pois esse laboratório exige, no mínimo, 60 mil reais para ser montado. Então, vamos seguir com técnicas mais simples e, posteriormente, concretizaremos essa ideia”, finaliza Roseane Borner.

prod4O laboratório teve sua reforma concluída em 2011 e contribui para o treinamento prático e o melhor aprendizado de alunos dos cursos de Biomedicina, Medicina, Odontologia, Fisioterapia e Enfermagem. Após essa restauração, a coordenação e os monitores fizeram a catalogação das peças antigas e receberam da Reitoria um alto investimento para que fossem compradas peças tridimensionais, que hoje são muito usadas nas aulas e aumentaram o interesse dos alunos.

“Apesar de algumas vezes o estudo dos cadáveres promover medo, aversão, receio e até mesmo curiosidade, é fundamental para a didática e o dinamismo das aulas, já que, ao utilizar cadáveres para a pesquisa, é possível a comprovação de métodos mais apropriados para a sua dissecação, conservação e estudo da Anatomia”, ressalta Milton Fernandes, monitor do laboratório.

Texto: João Thiago Dias – Assessoria de Comunicação da UFPA

Fotos: Laís Teixeira

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